O Assunto é vinho!

Sommelier Rafael Porto

O que somos sem história? O vinho também tem a dele!!!

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Olá pessoal!
Estou aqui começando a escrever sobre minha paixão que são os vinhos, e como minha intenção é de sempre tornar essa bebida mais interessante à todos, começo pela história escrita de uma forma simples, divertida e correta, já que os dados aqui descritos são objeto de muitas leituras e pesquisas.
Entender a história nos faz ver que algumas coisas se repetem hoje em dia como vocês vão ler no caso do Egito …lá o vinho era bebida somente para nobres, o resto da sociedade só podia beber uma espécie de ancestral da cerveja…
Daí lembro das pessoas que dizem: “…pra beber vinho tem que se ter um paladar rebuscado…”, “…pra tomar vinho tem que se ter muito dinheiro…”, “…vinho é só pra gran-fino…”
Pura bobagem, acompanhem este blog que vocês verão que tudo isso é mentira e ainda vão descobrir que com o vinho a gente não fica só bebendo… existem muito mais coisas pra se aproveitar e um pouco da história dos povos é uma delas.

Pois bem… vamos a um pouco de história:

A história do vinho começa na pré-história, quando os homens das cavernas reuniam boas quantidades de um parente pré-histórico da atual uva, e em suas cavernas a amassavam em cima de pedras polidas em forma de poças para depois de algum tempo (necessário para iniciar uma fermentacão espontânea já que o fermento para que isso ocorra está naturalmente presente nas cascas das uvas) beber aquele líquido e sofrerem as primeiras “tonturinhas alegres” da história!!!
Existem diversos estudiosos que dizem que os homens começaram a viver agrupados em sociedades fixas, deixando assim de serem nômades, por conta da seus alimentos cada vez mais incrementados.
As carnes começaram a ser cozidas e necessitavam do fogo e da lenha, iniciaram a cultivar lavouras, os pães necessitavam ser fermentados e assados,as bebidas, dentre elas o fermentado de uvas, precisava ser produzido e mesmo que ainda de forma rudimentar precisava-se de tempo para isso.
Foram achados indícios do cultivo de uvas na Geórgia (fronteira entre a Europa e Ásia) entre 7 e 5 mil anos antes de Cristo (a.C), sendo essa a data considerada como o marco inicial da produção de vinho.
Os egípcios foram os primeiros a escrever a forma de produção do vinho entre 5 e 3 mil a.C. e lá o vinho era a bebida somente para nobres, o resto da sociedade só podia beber uma espécie de ancestral da cerveja.


Videiras e oliveiras começaram a ser cultivadas na Grécia, por volta dos 3 mil a.C. Esse dois ingredientes que respectivamente produziam o vinho e o azeite pasaram a estimular o comércio e o intercâmbio entre os povos do mundo antigo.

Os gregos misturavam ervas, mel e até água do mar em seus vinhos e os transportavam em ânforas (jarros de barro cozido) tampados com pedaços de cortiça, panos e resinas de árvores.
Os gregos estenderam seus domínos gradativamente por todo o território que hoje em dia se encontra a Itália e dalí expandiram o cultivo da videira até o sul da atual França.
Os Romanos, dentre outros, foram os grandes responsáveis pela poularização do vinho na idade antiga, pois suas grandes conquistas de território foram sempre encorajadas através do vinho dado aos legionários.
Depois do teritório conquistado, era iniciado o cultivo de videiras para a produção de vinhos, pois acreditavam no Deus Baco, que abençoava as colheitas e deveria ser sempre referenciado com vinho.

Foi só durante o século III depois de Cristo d.C. que a ânfora deu lugar ao atual barril de carvalho. Na ânfora o vinho não entrava em contato com o ar e por isso durava mais tempo, porém quebrava-se com facilidade no transporte. Já com o barril não havia o perigo da quebra, porém o vinho respira por buracos microscópicos existentes nas tábua que o formam e por esse motivo estraga mais rápido.
Foi entre os séculos XVIII(1701-1800) e XIX(1801-1900) que o vinho começou a ganhar sua forma atual, engarrafado, tampado com rolha de cortiça e portando um rótulo.

Somente no século XIX o processo de fabricação do vinho foi explicado através das pesquisas de um farmacêutico francês chamado Louis de Pausteur (agora você sabe porque se chama leite “pausterizado”, foi ele quem descobriu esse processo também)que descreveu o processo de fermentação, onde os açúcares existentes na uva são transformados em alcool e outros componentes. Por essas e outras descobertas é que ele é considerado o “Pai da Enologia Moderna”. É dele a célebre frase usada por muitos ainda hoje, como desculpa para mais uma tacinha:
“O vinho pode ser considerado com boa razão como a mais saudável e mais higiênica das bebidas.”
Já no campo, a história atual começa justamente com uma grande praga que atacou praticamente o mundo inteiro a partir de 1860, a filoxera (o Chile foi o único país não atingido). Essa praga ataca as raízes das videiras prejudicando a produção, chegando até a matar a planta.
Demoraram 20 anos para que pudesse ser descoberta uma solução, porém essa catástrofe mundial foi a grande responsável para a produção do cenário de plantações que encontramos hoje em dia.

Pessoal, essas passagens que escreví aqui são apenas uma pequena parte desse assunto e a quem interessar mais aprofundamento, recomendo o livro A História do Vinho do renomado escritor inglês Hugh Johnson que está a venda em todas grandes redes de livrarias no Brasil.
Até logo!
Felicidades em bons brindes!!!

Written by oassuntoevinho

11,17,am at 02:11

Publicado em História